Dia Internacional da Toninha convida a comunidade a conhecer e proteger um dos golfinhos mais ameaçados do planeta
No dia 1º de outubro é celebrado o Dia Internacional da Toninha, data que marca o início do período de nascimentos dos filhotes da espécie. Considerado o cetáceo mais ameaçado do Atlântico Sul Ocidental, esse pequeno e tímido golfinho tem grande importância para o equilíbrio da biodiversidade marinha. O animal enfrenta um alerta urgente de sobrevivência e é um dos um dos golfinhos em maior risco de extinção no planeta.

Pequena, discreta e encontrada apenas na costa leste da América do Sul, a toninha (Pontoporia blainvillei) habita águas costeiras rasas, geralmente com até 50 metros de profundidade, em uma faixa que se estende do Espírito Santo, no Brasil, até a Argentina. A espécie pode atingir cerca de 1,60 metro de comprimento e pesar aproximadamente 35 quilos. Entre suas principais características estão o rostro longo e fino, com mais de 200 dentes, a pequena nadadeira dorsal de formato triangular e a coloração que varia entre tons de marrom, cinza e amarelo.
Entre as áreas prioritárias para a conservação da espécie está a Baía da Babitonga, no Norte catarinense, onde ocorre a única população residente conhecida de toninhas. Essa característica torna um laboratório a céu aberto para pesquisas científicas e para o desenvolvimento de estratégias voltadas à conservação do animal.
Por viverem próximas à costa, as toninhas estão mais expostas aos impactos das atividades humanas, sendo sua principal ameaça a captura acidental (bycatch) em redes de emalhe. Esse cenário reforça a importância do desenvolvimento de estratégias de conservação construídas em parceria com pescadores, comunidade, pesquisadores e demais atores envolvidos com o uso sustentável dos recursos marinhos.
Outro fator que contribui para sua vulnerabilidade é a baixa taxa reprodutiva. As fêmeas geram apenas um filhote a cada dois ou três anos, tornando a recuperação populacional um processo lento. Desde 2014, a toninha integra a Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção na categoria "Criticamente em Perigo".
Há mais de 20 anos, o Projeto Toninhas do Brasil, realizado pela Universidade da Região de Joinville (Univille) em parceria com a Petrobras, desenvolve ações de pesquisa, monitoramento, educação ambiental, comunicação e articulação institucional voltadas à conservação da espécie e dos ecossistemas marinhos.
O Toninhas do Brasil é referência no Brasil e no mundo quando o assunto é pesquisa e conservação de pequenos cetáceos, especialmente a toninha, com destaque também nas ações de sensibilização ambiental.
Para combater o desconhecimento — já que a toninha é um animal discreto e raramente visto pela população —, os cientistas do Projeto Toninhas do Brasil apostam na ciência e na educação ambiental. Na Babitonga, técnicas avançadas como a fotoidentificação (mapeamento das marcas únicas nas nadadeiras dorsais) permitem acompanhar a saúde e os padrões de movimentação do grupo estimado em 50 toninhas restantes.
O Caso 'Diva': Relembrando um raro atendimento bem-sucedido
A urgência em salvar cada indivíduo ganhou um capítulo marcante em 1º de outubro de 2025 em São Francisco do Sul. A toninha carinhosamente batizada de Diva foi resgatada e recebeu atendimento emergencial especializado por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS/Univille) no município.


Diva permaneceu sob cuidados intensivos durante 16 dias na Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Univille. O caso mobilizou veterinários, pesquisadores e voluntários brasileiros e estrangeiros, numa verdadeira força-tarefa, dedicados no esforço extremo necessário para reabilitar uma espécie tão sensível ao estresse e às ações humanas. O sucesso do tratamento culminou na sua soltura há 1 ano, transformando o animal em um símbolo vivo de resiliência, exatamente no Dia Internacional da Toninha do ano passado.

O caso da Diva acende a esperança em um cenário alarmante. Dados do PMP-BS/Univille apontam que, de janeiro a 20 de setembro de 2026, 68 indivíduos foram encontrados mortos no litoral norte de Santa Catarina — sendo pelo menos 43 deles apenas entre janeiro e agosto, vítimas principalmente da captura acidental em redes de pesca (emalhe).
O histórico recente reforça a gravidade da situação: entre janeiro/2019 e junho/2026, foram registrados 529 indivíduos no total, dos quais apenas 4 foram encontrados vivos e somente 2 conseguiram retornar à natureza após atendimento especializado — sendo a Diva um desses raros casos de sucesso. A vitória dela prova que a conservação dá certo quando há união de esforços.




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