Univille inaugura espaços de educação sanitária e controle ao Aedes aegypti
- Comunicação Institucional Univille
- 9 de jun.
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Projetos foram contemplados com investimentos de R$ 2,8 milhões por meio de edital da Fapesc
A Univille inaugura nesta quarta, 10, às 14h, o Laboratório de Educação Sanitária Interativa – Mosquilab e o Laboratório de Entomologia – BugLab. Os espaços foram viabilizados com recursos captados por meio de edital junto à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação, totalizando mais de R$ 2,8 milhões, com contrapartida da instituição. Estarão presentes no evento o presidente Valdir Cechinel Filho e a diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapesc, Valeska Tratsk , além do secretário de Estado da Ciência Tecnologia e Inovação, Fábio Wagner Pinto, do diretor da Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC), João Augusto Brancher Fuck e da diretora das Vigilâncias da Secretaria de Saúde de Joinville, Maria Cristina Willemann.

Pioneiro em Santa Catarina, o Mosquilab é um ambiente interativo onde os visitantes podem aprender, de maneira dinâmica e científica, sobre o ciclo de vida do Aedes aegypti, as doenças que transmite e as formas de prevenção. O local foi planejado para funcionar como uma espécie de circuito, onde ao passar pela entrada, a pessoa percorre diferentes salas temáticas até a saída. O laboratório conta com jogos digitais, vídeos educativos e atividades, como caça ao mosquito. Além disso, o projeto levará conhecimento às escolas e às comunidades de Joinville e região.

Segundo a coordenadora, Therezinha Maria Novais de Oliveira, o Mosquilab faz parte do Projeto de Educação Sanitária Interativa, desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde e Meio Ambiente da Univille, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Joinville. "O espaço foi inspirado numa exposição na Fundação Oswaldo Cruz, com o objetivo de fortalecer o combate ao Aedes aegypti com ações educativas contínuas. Ele está pronto para receber a comunidade em geral, desde alunos das redes pública e privada, até grupos de idosos”, destaca a professora e vice-reitora.

Therezinha comenta ainda que o Mosquilab também servirá para capacitação de agentes municipais de saúde, que atuam na linha de frente do controle de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. Ela complementa que o Projeto de Educação Sanitária Interativa terá duração de dois anos e contará com parcerias estratégicas com prefeituras, instituições de ensino e conselhos de saúde, além de envolver a sociedade em mutirões e outras ações participativas.
O Laboratório de Educação Sanitária Interativa – Mosquilab recebeu investimentos de aproximadamente R$ 950 mil por meio de edital da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc).

BugLab: Controle da população do Aedes aegypti
Nos últimos anos, a rápida dispersão dos vírus da dengue, Chikungunya e zika vem despertando a atenção e o foco mundial, especialmente no Brasil, país com maior número de casos das doenças. Estudos têm evidenciado a necessidade de se adotar abordagens mais sustentáveis e integradas para complementar e, em alguns casos, substituir as estratégias tradicionais de controle da população de vetores. Neste contexto, o Laboratório de Entomologia – BugLab foi pensado para desenvolver e aperfeiçoar procedimentos para a esterilização química de mosquitos machos de Aedes aegypti pela Técnica do Inseto Estéril (TIE). “A estratégia consiste na criação em massa de insetos machos esterilizados, que poderão ser liberados no ambiente natural. Os machos estéreis competem com os machos selvagens para acasalar com as fêmeas, resultando em ovos que não eclodem, o que gradualmente diminui a população de insetos ao longo do tempo”, explica a coordenadora do projeto, professora Elisabeth Wisbec
Outra frente de atuação do BugLab é a otimização de um larvicida biodegradável baseado em extratos naturais nanoencapsulados, iniciativa coordenada pela professora Denise Abatti Kasper Silva. Os ensaios servirão para aprimorar um estudo que vem sendo realizado nos últimos anos, numa parceria entre a universidade, por meio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos, e a Nório Nanotecnologia, empresa instalada no Inovaparq - Parque de Inovação Tecnológica da Univille, com aporte financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo edital MAI/DAI/2023.
De acordo com Denise, o larvicida biodegradável e a técnica de esterilização de machos do Aedes aegypti vêm para complementar o Método Wolbachia, tecnologia já utilizada pela Prefeitura de Joinville para reduzir a transmissão da dengue. “Vamos diminuir as populações desses insetos, e consequentemente os impactos sobre a saúde humana, que vão acarretar lá no SUS”, comenta.
Os projetos executados no Laboratório de Entomologia – BugLab contaram com recursos no total de R$ 1,9 milhão repassados pela Fapesc, além da contribuição da Nório Nanotecnologia na modernização das instalações do local. As pesquisas terão a participação de acadêmicos das engenharias Química e Ambiental e do curso de Ciências Biológicas da Univille.
Edital da Fapesc nº 37/2024
As propostas cadastradas no edital nº 37/2024 da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação eram voltadas ao desenvolvimento de estratégias de controle ao Aedes aegypti, bem como à prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças transmitidas pelo mosquito, incluindo medidas de educação continuada em saúde.
Para o presidente da Fapesc, Valdir Cechinel Filho, os recursos viabilizados pela fundação vão contribuir para iniciativas e resultados relevantes para minimizar o impacto causado pelo mosquito Aedes aegypit no Norte catarinense e no estado. “Esses projetos financiados pela Fapesc vão contribuir para a melhoria da qualidade de vida e vão dar mais segurança para a nossa sociedade. Estamos muito orgulhosos e parabenizamos os pesquisadores da Univille, assim como os parceiros que participam de ações tão inovadoras e impactantes”, garante.
Além do Laboratório de Entomologia – BugLab e do Laboratório de Educação Sanitária Interativa – Mosquilab, a “Avaliação da Tendência Temporal e Distribuição Espacial dos Casos de Dengue em Joinville” foi outro projeto de pesquisa da Univille viabilizado pela Fapesc. Sob a coordenação de Paulo França e com orçamento de mais de R$ 652 mil, a iniciativa busca investigar o aumento significativo de casos da doença na cidade entre 2020 e 2025, abordando uma metodologia estatística e geoespacial.
Os trabalhos acontecerão em 5 etapas: Coleta e análise dos dados sociodemográficos de pessoas infectadas; Mapeamento por bairro, utilizando informações do Censo 2022 e ferramentas de geoprocessamento; Análise espacial dos focos de dengue em relação às variáveis ambientais, com dados do Sistema de Informações Municipais Georreferenciadas (SIMGeo) e aerolevantamento com drones; Mensuração das taxas de incidência durante a implementação do método Wolbachia e desenvolvimento de modelos preditivos para antecipar e atenuar futuras epidemias de dengue.
“Esses resultados apoiarão políticas públicas e intervenções preventivas mais eficazes, contribuindo para a redução da incidência de dengue em Joinville e, consequentemente, na redução de internações e óbitos. Com isso, esperamos contribuir com a redução da sobrecarga na saúde pública, reafirmando a parceria da Univille com o poder público”, explica França, professor e pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação.
Segundo o reitor da Univille, Alexandre Cidral, ao longo dos 30 anos como universidade, a serem completados em agosto, a instituição tem se destacado no campo das pesquisas científica e tecnológica. “A inauguração desses laboratórios por meio de projetos aprovados junto à Fapesc, demonstra o nível de maturidade dos nossos processos de pesquisa e dos nossos pesquisadores, reafirmando nosso compromisso como universidade comunitária para que a ciência continue sendo um eixo importante no desenvolvimento econômico, social e ambiental da nossa região”, finaliza.