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Primeiro laboratório interativo de SC sobre o Aedes aegypti é inaugurado na Univille 

Espaço com atividades educativas está aberto a estudantes e à comunidade de Joinville e região   O Norte catarinense agora conta com um ambiente interativo onde os visitantes podem aprender, de maneira dinâmica e científica, sobre o ciclo de vida do Aedes aegypti, doenças transmitidas e formas de prevenção. O Laboratório de Educação Sanitária Interativa – Mosquilab foi oficialmente aberto nesta quarta, 10, na Praça da Ciência da Universidade da Região de Joinville. A inauguração do espaço, que contou com investimentos de R$ 950 mil do Governo Estadual, teve a presença do secretário de Estado da Ciência Tecnologia e Inovação, Fábio Wagner Pinto, do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc), Valdir Cechinel Filho e demais autoridades locais e regionais. O funcionamento do Mosquilab é realizado por meio de agendamento pelo e-mail mosquilab@univille.br

O laboratório foi planejado para funcionar como uma espécie de circuito, onde ao passar pela entrada, a pessoa percorre diferentes salas temáticas até a saída. O local conta com jogos digitais, vídeos educativos e atividades, como caça ao mosquito. Além disso, o projeto levará conhecimento às escolas e às comunidades de Joinville e região. "O Mosquilab foi inspirado numa exposição na Fundação Oswaldo Cruz, com o objetivo de fortalecer o combate ao Aedes aegypti com ações educativas contínuas. Ele está pronto para receber a comunidade em geral, desde alunos das redes pública e privada, até grupos de idosos”, garante a coordenadora da iniciativa, Therezinha Maria Novais de Oliveira, professora e vice-reitora da Univille. 


Therezinha complementa que o laboratório faz parte do Projeto de Educação Sanitária Interativa, desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde e Meio Ambiente da universidade, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Joinville. Ela destaca ainda que o ambiente também servirá para capacitação de agentes municipais de saúde, que atuam na linha de frente do controle de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya.  


"Se há dois investimentos fundamentais enquanto civilização, eu arrisco a dizer que são a educação e a ciência e a tecnologia. Sem isso, nós não conseguimos pensar num futuro melhor para as próximas gerações. E a Univille tem em seus valores, a responsabilidade socioambiental, que ecoa o compromisso lá de 30 anos atrás, quando foi inscrito o projeto rumo à universidade", enfatizou Alexandre Cidral, reitor da instituição.   Com recursos captados por meio de edital junto à Fapesc, o Mosquilab também recebeu contrapartida financeira da Universidade da Região de Joinville. 

BugLab: Controle da população do Aedes aegypti   

Na mesma data, a Univille também inaugurou o Laboratório de Entomologia –BugLab, onde serão realizadas estratégias de combate ao Aedes aegypti. Uma das frentes de atuação será a esterilização química de mosquitos pela Técnica do Inseto Estéril (TIE). “A estratégia consiste na criação em massa de insetos machos esterilizados, que poderão ser liberados no ambiente natural. Os machos estéreis competem com os machos selvagens para acasalar com as fêmeas, resultando em ovos que não eclodem, o que gradualmente diminui a população de insetos ao longo do tempo”, explica a coordenadora do projeto, professora Elisabeth Wisbec. 


Outro projeto do BugLab será a otimização de um larvicida biodegradável baseado em extratos naturais nanoencapsulados, ação coordenada pela professora Denise Abatti Kasper Silva. Os ensaios servirão para aprimorar um estudo que vem sendo realizado nos últimos anos, numa parceria entre a universidade, por meio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos, e a Nório Nanotecnologia, empresa instalada no Inovaparq - Parque de Inovação Tecnológica da Univille, com aporte financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo edital MAI/DAI/2023.  


De acordo com Denise, o larvicida biodegradável e a técnica de esterilização de machos do Aedes aegypti vêm para complementar o Método Wolbachia, tecnologia já utilizada pela Prefeitura de Joinville para reduzir a transmissão da dengue. “Vamos diminuir as populações desses insetos, e consequentemente os impactos sobre a saúde humana, que vão acarretar lá no SUS”, comenta.  


Os projetos executados no Laboratório de Entomologia – BugLab contaram com recursos no total de R$ 1,9 milhão repassados pela Fapesc, além da contribuição da Nório Nanotecnologia na modernização das instalações do local. As pesquisas terão a participação de acadêmicos das engenharias Química e Ambiental e do curso de Ciências Biológicas da Univille.   



Edital da Fapesc nº 37/2024  


As propostas cadastradas no edital nº 37/2024 da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação eram voltadas ao desenvolvimento de estratégias de controle ao Aedes aegypti, bem como à prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças transmitidas pelo mosquito, incluindo medidas de educação continuada em saúde.  


Além do Laboratório de Entomologia – BugLab e do Laboratório de Educação Sanitária Interativa – Mosquilab, a “Avaliação da Tendência Temporal e Distribuição Espacial dos Casos de Dengue em Joinville” foi outro projeto de pesquisa da Univille viabilizado pela Fapesc. Sob a coordenação de Paulo França e com orçamento de mais de R$ 652 mil, a iniciativa busca investigar o aumento significativo de casos da doença na cidade entre 2020 e 2025, abordando uma metodologia estatística e geoespacial.  


Os trabalhos acontecerão em 5 etapas: Coleta e análise dos dados sociodemográficos de pessoas infectadas; Mapeamento por bairro, utilizando informações do Censo 2022 e ferramentas de geoprocessamento; Análise espacial dos focos de dengue em relação às variáveis ambientais, com dados do Sistema de Informações Municipais Georreferenciadas (SIMGeo) e aerolevantamento com drones; Mensuração das taxas de incidência durante a implementação do método Wolbachia e desenvolvimento de modelos preditivos para antecipar e atenuar futuras epidemias de dengue.  



“Esses resultados apoiarão políticas públicas e intervenções preventivas mais eficazes, contribuindo para a redução da incidência de dengue em Joinville e, consequentemente, na redução de internações e óbitos. Com isso, esperamos contribuir com a redução da sobrecarga na saúde pública, reafirmando a parceria da Univille com o poder público”, explica França, professor e pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação. 

Para o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, Fábio Wagner Pinto, as inaugurações dos laboratórios marcam mais um importante momento das ações de combate ao mosquito incentivadas pelo Estado. "Conseguimos juntar a demanda da comunidade, à capacidade dos nossos cientistas com fomento do Governo de SC na promoção de pesquisas e desenvolvimento de soluções inovadoras", disse. 



“Esses projetos financiados pela Fapesc vão contribuir para a melhoria da qualidade de vida e vão dar mais segurança para a nossa sociedade. Estamos muito orgulhosos e parabenizamos os pesquisadores da Univille, assim como os parceiros que participam de ações tão inovadoras e impactantes", finalizou o presidente da Fapesc, Valdir Cechinel Filho. 

 
 
 

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