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Entre laços e nós: a arte como testemunho de sobrevivência

Galeria de Arte da Univille recebe primeira exposição da artista Raquel Alvarenga

“Tornar-se Mulher em Laços de Nós” é o nome da primeira exposição da artista Raquel Alvarenga, com curadoria de Alena Marno. No mês do Agosto Lilás, período da campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, Raquel apresenta sete obras que entrelaçam memórias de três gerações de mulheres de uma mesma família. A abertura da mostra acontece nesta sexta, 7, às 19 horas, na Galeria de Arte, no primeiro piso da Biblioteca da Univille, em Joinville. A exposição permanece em cartaz até o dia 29 de agosto, com visitação de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

Como observa a curadora Alena, trata-se da história da “avó Joana Rosa, que ousou fugir da violência doméstica e viver à sua maneira, com três filhos; a mãe, criada por freiras em um orfanato, que construiu no casamento ‘o maravilhoso mundo de Aparecida’ (seguro, mas que lhe custou abdicar de seus próprios desejos); e a própria artista, que se descobre herdeira dessa trama de proteção, medo e liberdade vigiada”.


Entre as obras, destaca-se “Avesso imperfeito”, que reúne os nomes bordados de 52 mulheres vítimas de feminicídio em Santa Catarina. Para a artista e docente da Univille, “os assassinatos de mulheres pelo fato de serem mulheres expõem a imperfeição de uma sociedade construída no avesso de um ideal civilizatório”.


O ativismo de Raquel também se faz presente em “Crochê de guerrilha”, obra na qual o mapa do mundo é bordado sobre um lençol doméstico, com rosas de crochê marcando as regiões onde atua o movimento #rosesagainstviolence (Rosas Contra a Violência). Essa guerrilha acontece em diferentes países e em centenas de cidades.


Joinville figura entre seus principais expoentes, onde rosas de crochê, produzidas por voluntárias, são afixadas em pontos estratégicos da cidade acompanhadas de cartões informativos que orientam mulheres em situação de violência, indicando caminhos de acolhimento e proteção diante de uma cultura ainda marcada pela perversidade do patriarcado.


Outras cinco obras integram a exposição, articulando as memórias das mulheres da família da artista a composições produzidas com bordados e rosas de crochê. As sete peças constroem uma trama que parte da experiência íntima para alcançar uma dimensão coletiva. Histórias familiares tornam-se memória pública e transformam o gesto de bordar em uma forma de testemunho e resistência.


Como observa Alena Marno no texto de apresentação da exposição: "Não há saída da trama, mas tecer é um ato de escolha. Ponto por ponto, repetir ou romper..."

 
 
 
Univille 60 anos - original.png
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